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BaixoCentro

Um projeto de Comunidade por Lucas Pretti

  • 18 Jan 2012

    Apoios poéticos ao BaixoCentro

    O ilustrador Guto Lacaz acredita na ocupação civil das ruas com cultura e nos enviou esta ilustração:

    E a escritora Patrícia Vieira criou este texto, a partir do que a ideia de ocupar o entorno do Minhocão provocou nela. De chorar de tão lindo.

    Nossos nublados vão dar sol

    Nas ondas da respiração de um marronzinho, indo e vindo, indo e vindo, enquanto os olhos fisgados por interiores intocados de um cristal de quartzo numa vitrine, lojinha esotérica sem luz (porque choveu): o silêncio dos passarinhos e dos pneus nas poças, do vento cochichando aos ipês, burilando a água da sarjeta. Água grande parada aí. Até estilhaçar os reflexos do semáforo vermelho, do prédio de descoloridos apartamentos. Lago ártico invadindo a rua com paralelepípedos icebergs negros. E a floricultura murcha, com as gotículas das pétalas refletindo a faixa de pedestres.

    - Ontem teve fogueira aqui?

    - Não. Há um mês. Debaixo do minhocão. Tá vendo ali, no colorido que pintaram, o queimado?

    - E hoje?

    - Foi raio.

    A árvore partida ao meio, os galhos esturricados e os veios do âmago do tronco expostos à luz solar, com os cupins a nu: in

    tes ti no e m pol vo ro sa. . .

    Sabe a quantas anda a brisa? Não sei. Mas ela tropeçava nessa árvore. Agora, não tropeça mais.

    Tal duas pernas abertas, em espacate, de ponta cabeça. A grama é a calcinha, o concreto é a saia longa, rodada – se não fosse retangular -, é o próprio chão até a borda da rua. Quem é a ponta e quem é a cabeça?

    Os cupins, multidão do mundo, se alastrando com madeiras nas barrigas pelas raízes espessas ainda sustentado o tronco que já caiu. Raízes imitando uma mão de muitos dedos penetrando a terra para içar um segredo, um tesouro. Raízes semelhantes a nada, nem a rios de terra, nem a cobras de pedra. A copa de beija-flores que escondia o banheiro da tia, agora, sobre o capô de um Soul, da Kia. É o mundo quem rima, tem essa mania. Não sou eu. Escuta, que tudo na rua mia.

    Os últimos copos vazios bateram com força na mesa de alumínio. Nenhum vento, a luz da lua cheia clareando o deserto de pedras portuguesas, encharcando os arbustos-gentes retorcidos com véu prateado. Gentes? Cadê gentes?

    Vai começar a chover. Vamos entrar?

    - Vamos sair. Vamos sair, arredondar a saia e lamber os sovacos dessa centopeia de cimento com bigodes de aço cercados de estacionamentos com um milhão de abraços, acordes e papel machê.

  • 13 Jan 2012

    pré-BaixoCentro

    ()BaixoCentro promove fim de semana de eventos em torno do Minhocão()
    ()Samba, pedalada, festa e ativismo hacker vão ocupar as ruas de Santa Cecília, Luz e Campos Elísios entre 13 e 15 de janeiro()
    O movimento BaixoCentro (http://baixocentro.org), composto por centros culturais, coletivos, artistas e produtores do entorno do Minhocão, em São Paulo, promove neste final de semana uma série de atividades para ocupar as ruas e angariar fundos para o Festival BaixoCentro, a ser realizado em março. Serão 4 eventos para ocupar os bairros de Santa Cecília, Campos Elísios, Vila Buarque e Luz com música e ativismo.
    Na sexta-feira à noite, o bloco carnavalesco Filhos da Santa (http://filhosdasanta.com.br) fará um cortejo entre a sede da cia de teatro Folias D’Arte (http://galpaodofolias.com.br) e o Largo Santa Cecília, ao mesmo tempo que o Coletivo CRU (http://coletivocru.tumblr.com) liderará uma pedalada por espaços culturais, praças e espaços públicos do Baixo Centro.
    No sábado à tarde, o Ônibus Hacker (http://onibushacker.org), projeto da comunidade Transparência Hacker, fará um passeio pela região do Baixo Centro até chegar à área da Cracolândia, na luz, onde se juntará ao Churrascão da Gente Diferenciada. O passeio tem o objetivo de produzir registros fotográficos, em vídeo e texto sobre a situação da região hoje, em pleno processo de higienização promovido pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.
    A tarde de domingo terá o fim da programação deste “pré-BaixoCentro”, com a festa Samba na Casa do Gato (http://facebook.com/sambanacasadogato), na Casa da Cultura Digital. Uma banda de chorinho, uma mostra colaborativa de vídeos e degustação de cachaças artesanais brasileiras espera os convidados, com entrada a R$ 5.
    Tudo isso com o intuito de arrecadar dinheiro para a realização do Festival BaixoCentro, em março. O BaixoCentro é o resultado da articulação entre centros culturais para a realização de um festival de rua colaborativo e aberto à intervenção de qualquer um. Para conhecer melhor e apoiar o projeto, clique em: http://catarse.me/pt/projects/437-baixocentro

    Serviço:
    PRÉ-BAIXOCENTROhttps://www.facebook.com/events/195731937189462/

    DIA 13, sexta (duas atividades)
    CORTEJO DO BLOCO FILHOS DA SANTA
    O bloco Filhos da Santa sairá às 19h da frente do Galpão do Folias e tocará pelas ruas até o Largo Santa Cecília, onde normalmente se apresenta. No Largo, o bloco continua tocando até 22h.
    +
    PEDAL CRU PELA CIDADE: EDIÇÃO BAIXOCENTRO
    O Coletivo CRU liderará uma pedalada pela região, para desbravar ruas, praças, edifícios e monumentos importantes da cidade, com paradas para contar um pouco da história de cada local. Mais info: http://coletivocru.tumblr.com/post/15566314660/pedal-cru-pela-cidade-edicao-baixo-centro e http://www.facebook.com/events/315326805179071/
    Local: Galpão do Folias – Rua Ana Cintra, 213
    Horários: – concentração: 18h – cortejo/pedalada: 19h-20h – samba: 20h-22h – Largo Santa Cecília

    DIA 14, sábado
    ROLÊ ÔNIBUS HACKER
    O Ônibus Hacker fará um trajeto pela área do Projeto Nova Luz, da Prefeitura (que já está em plena época de “higienização” institucional o_O) para fazer um “tour-procissão-intervenção” com a intenção de produzir registros sobre o local – seja com imagens, vídeos, textos e qualquer tipo de documentação. Dentro do ônibus, debates sobre a região. Um exercício de “olhar a cidade”. Mais info: http://www.facebook.com/events/303084666396106/
    Local da saída: Casa da Cultura Digital – Rua Vitorino Carmilo 459
    Horários: – concentração: 13h – rolê: 14h-19h

    DIA 15, domingo
    SAMBA NA CASA DO GATO
    É a festa que a Casa da Cultura Digital promove em algumas tardes de domingo, para conectar pessoas via chorinho e cachaça. Mais infos: http://www.facebook.com/events/248035888599219/
    Local: Casa da Cultura Digital – Rua Vitorino Carmilo 459
    Horário: 13h-19h
    Entrada: $ 5

  • 25 Nov 2011

    um vídeo para você entender o BaixoCentro com a alma

O projeto

#minhocão #mobilização #culturalivre #ocupe #dance!

Somos do coletivo Casa da Cultura Digital, em São Paulo, e propomos 10 eventos de rua, a experimentação tecnológica e a articulação entre núcleos culturais dos bairros em torno do Minhocão (Santa Cecília, Campos Elísios, Barra Funda e Vila Buarque) para um mês de festival em março de 2012.

Vamos desenvolver uma plataforma online para organizar a interação entre os cerca de 30 espaços do que chamamos BaixoCentro (veja o mapa: http://g.co/maps/2gya4) (e quem mais se interessar por fazer parte) e deixá-la aberta para cadastro de novos eventos com curadoria e organização colaborativas. Queremos construir um carrinho multimídia (com internet sem fio, som, luz, projeção, câmeras etc.) para funcionar como sede itinerante do movimento e como “bandeira” da ocupação cultural das ruas.

Saiba mais: http://baixocentro.org

Conceitos

Acreditamos que as pessoas possam de fato interagir. Interagir com as ruas, seus vizinhos, os espaços que habitam e transitam. Vivemos nesse ritmo frenético e sem confiança. Simplesmente passando… Nosso potencial humano de convivência, desenvolvimento e transformação embotados, ditados pelo tiritar de um tempo alheio ao bem-viver, numa ambientação mercadológica.

Com uma ânsia mais que premente, apostamos em mudar o rumo dessa história. Queremos com a força dos cidadãos, dos coletivos de arte, dos espaços políticos e humanos no sentido Lato da palavra, de todos que buscam por uma nova forma de relação cotidiana, iniciar este movimento que por hora chamamos BaixoCentro e que pretende adaptar-se em outras formações e centros.

Porque muita gente mora nesse espaço geográfico. Porque podemos a partir daqui ser uma mola propulsora das expressões populares nos espaços públicos e para que nossas ruas possam se transformar em palcos, de todos, todos os sonhos de todos.

Começaremos por articular esses espaços já existentes mapeados, propondo 10 eventos para acontecer nas ruas e onde mais couber, tendo como principio uma curadoria colaborativa e aberta vislumbrando essa onda que como o mar não cessa.

Que o projeto BaixoCentro possibilite novos olhares e ações de ocupação em nossos espaços públicos e particulares assim como nas relações estabelecidas cotidianamente.

Promover a conexão de redes inter-dependentes e descortinar concretos. Despertar o movimento interno da pungente necessidade da dança da vida.

As ruas são para dançar!

Como?

Este é o nosso orçamento total: R$ 96.280. Ele está aberto neste link para qualquer um ver e opinar como destinaremos o dinheiro arrecadado: https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AmNi4hRTVanWdFB2cHd0UWVhdTMwM25NRGVSZkJPRVE&hl=en_US#gid=0

Via crowdfunding, optamos por pedir R$ 56.000, o valor mínimo para realização. Por isso contamos com duas formas de colaboração: o apoio financeiro a partir das cotas de recompensa (à direita) e a troca de serviços na lógica da economia solidária.

Exemplo: se você pode doar um projetor, nós aceitamos! e ele sairá do orçamento total, e assim por diante. Por isso, convidamos vocês para juntarem-se a nós com dinheiro, com produtos, com serviços, com ideias, com presença.

Este é o grupo do Facebook:
http://facebook.com/groups/267983516569073/

Esta é a lista de e-mails da organização do movimento: https://groups.google.com/forum/#!forum/baixocentro

Este é o site/blog (beta) que organizará nossa articulação até o fim desta campanha, quando então se tornará a plataforma oficial do movimento: http://baixocentro.org

Sobre a Casa da Cultura Digital

A Casa da Cultura Digital (CCD) – http://casadaculturadigital.com.br – são quatro casas de uma vila operária italiana construída no início do século 20, na Barra Funda, em São Paulo, um espaço de trabalho por onde circulam cerca de 50 pessoas sob a motivação de compartilhar ideias, projetos, trocar experiências e criar coisas. O princípio da CCD é tentar encontrar meios de entender e praticar novos pensamentos e relações entre pessoas pós-revolução digital contemporânea.

Em pouco mais de dois anos, a Casa já realizou projetos de naturezas tão multidisciplinares quanto seus integrantes, embora todos circulem em torno dos conceitos de cultura livre, hackerismo, articulação em rede e preocupação com interesse público.

Alguns de nossos projetos:

- Festival CulturaDigital.BR (http://culturadigital.org.br)
- Produção Cultural no Brasil (http://producaocultural.org.br)
- Ônibus Hacker (http://onibushacker.org)
- Documentário “Remixofagia” (http://cincovezes.culturadigital.org.br)
- Arte Fora do Museu (http://arteforadomuseu.com.br/)
- Samba na Casa do Gato (http://facebook.com/sambanacasadogato)
- Pesquisa de Vídeo Livre (http://pesquisa.videolivre.org.br)

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